Malandro

Florianópolis, Brasil – New York City, USA 

  A banda Malandro nasceu no verão de 2005 em Florianópolis, uma ilha que inspira os artistas e moradores. O primeiro encontro dos amigos músicos Rob e Jonathan (Jesusinho) com Gabriel, no Sul do Brasil, aconteceu justamente a propósito de dois antigos bons hábitos partilhados pelo grupo: surfar e fazer música. Em pouco tempo, o som da Malandro estava nas praias, nas festas, nos bares e em boas baladas do litoral catarinense, e o público local percebeu o surgimento muito bem vindo de uma banda especial. Aos poucos, o número de integrantes do grupo aumentou, evoluiu e, mais que curtir os bons momentos, eles decidiram aproveitar o tempo e a parceria para fazer um som de qualidade. 

  A partir daí, a música da banda já foi descrita como uma fusão do poder das letras do Bob Marley, o rock dos anos 60 (tipo Rolling Stones), e servido com a vibração e energia ao vivo de Sublime e Ben Harper. Mas, independente do que o som pode lembrar, as levadas e climas levam qualquer platéia ao delírio.
  Em NYC, Malandro é conhecida como uma banda de muita alegria sempre com um toque tropical nos shows. Já tocaram em vários picos de peso internacional como CBGB´s, The Knitting Factory, Kenny´s Castaways, The Lion´s Den, Stephen´s Talkhouse e diversos bares, clubes e universidades pelo litoral dos Estados Unidos.
  A música do Malandro pode ser encontrada em inúmeros vídeos de surf, skate, wind, kite e tow-in e, recentemente, a banda tocou nas festas da etapa do WCT em Santa Catarina
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Entrevista Malandro




Malandragem. No bom sentido...

Por Adilson Pereira www.sambapunk.com.br

  Agora, que entrou no ar uma novela cheia de surfistas, é capaz de muita gente prestar atenção neste universo. Daqui a pouco, o que vai ter de barbado clareando a juba… Alheios a tudo isso, há os que já estão sintonizados com as ondas há tempos. Como o pessoal do Malandro, um grupo catarinense que na verdade não é só catarinense. O número de integrantes não é fixo e inclui alguns gringos. Gabriel Gontijo, o líder da turma, passa metade do ano aqui e metade nos States. Ele, que anda ouvindo muito a Nação Zumbi, até bem pouco tempo atrás estava trabalhando como DJ no restaurante Planet Holywood, em Nova York. Mas, mais do que discotecar, o rapaz gosta de tocar guitarra. No início, o som autoral rolava mais durante as temporadas brasileiras, quando eles misturavam reggae e rock em Floripa e lotavam as festas que faziam. Energia era o que não faltava, porque todos tratavam de carregar as baterias durante o dia, pegando ondas nas praias da região. O Malandro está em estúdio, preparando uma (nova) bolacha. Com eles, a expressão “trancados em estúdio” não faria sentido. Os caras precisam mesmo ir à praia para sobreviver. A música parece ser só uma - feliz - conseqüência.

  Como em muitos os casos, o grupo começou sem nome. Eles nem queriam fazer uma banda. Parecia coisa séria demais para quem exercitava o tempo todo o desprendimento de quem se acostuma com o mar. A idéia, diz Gabriel Gontijo, era gravar algumas coisas instrumentais, flertar um pouco com o hip-hop para mandar umas bases para uns amigos MCs… Tudo se resumia a isso no primeiro encontro dos caras, que reuniu ainda o baterista, Robert “The Recliner” Copeland-Halperin e o guitarrista Jonathan “Little Jesus” Weissberg. Isso foi em NYC, uns seis meses antes da primeira temporada e gravação em Floripa, em janeiro de 2005. Rob e Jonathan vinham de uma banda cover que tinham montado na escola. Aquilo que os americanos fazem e sempre aparece nos filmes, sabem como é? Gontijo, por sua vez, andava - desde 2004 - rabiscando algumas músicas e, depois de mostrar as primeiras aos manos de lá, os caras pediram mais.

  Os gringos arrumaram as malas e vieram passar um tempo em Floripa. Resultado: gravaram 14 músicas. Terminada a brincadeira, voltaram aos EUA mas, um mês depois, estavam ligando para Gabriel. Queriam que o cara fosse para lá, fazer shows com aquele repertório. Naquela altura do campeonato, os gringos tinham entrado em diferentes faculdades e aproveitavam a movimentação no campus para divulgar o som. Percorreram um bom circuito, assim. Foi nessa época que surgiu o nome do conjunto. Gabriel se divertia cada vez que via os amigos ianques pronunciando determinadas palavras em português. “Malandro” era uma das que mais permitia variações na pronúncia dos filhos do Tio Sam. Foi o nome escolhido.

 “O nome, lá, cria algo tropical, uma coisa que representa verão, calor, férias, festa, gente, som divertido etc. Tanto que o Malandro tocou pouquíssimas vezes no inverno nos EUA. O pessoal já relaciona o som com essas características. Por outro lado, e só fui descobrir isso depois, o nome ‘Malandro’ no Brasil parece banda de pagode!”, comenta Gabriel Gontijo, num intervalo entre ondas, festas, shows e sabe-se lá mais o quê. “Nossa banda sempre funcionou melhor como um conjunto de colaboradores do que como uma banda fixa. Então, os integrantes dependem muito do país onde vai ser o show e da disponibilidade dos músicos. Mas eu acho que todo mundo que participa tem a mesma vibe e filosofia de participar de algo que é divertido, interessante e prazeroso musicalmente. Não interessa a nacionalidade e sim a personalidade. E a temperatura tem muito a ver com isso. Depois de 20 anos de inverno rigoroso nos EUA, descobri que eu podia viver um endless Summer”, comemora, referindo-se ao clássico filme de surf. “De maio a setembro, no hemisfério norte, e, de dezembro a março, no sul. No restante do tempo depende de oportunidades musicais e financeiras e de compromissos pessoais.”

  Traduzindo: depende de o mar estar ou não para peixe. E o peixe que nada por lá pode por vezes ser bem parecido com o que desfila por aqui. Gontijo afirma que os dois lados, Brasil e EUA, no que diz respeito às chances para músicos-surfistas, têm seus pontos positivos e negativos. “Nos EUA, equipamento, palco, equipe musical e de produção, cachês… tudo isso é muito bom. Tudo funciona e é de alta qualidade. E ao mesmo tempo há lugares, especialmente NYC, onde você pode ser visto pelos representantes do mundo da mídia e da indústria musical. Porém… é um lugar de muitas regras e uma certa caretice implícita. As vezes falta aquela vibe descontraída e relax do Brasil. Lá, quase todos os lugares que são bares ou venues com música ao vivo são fechados para menores de 21 anos de idade. Então, é um saco pra quem é um adolescente ou um universitário. Já deu muito rolo em shows por causa disso. No Brasil, ou, mais especificamente, em Floripa, falta aquele equipamento bonito, em que tudo funciona, que não dá choque, pessoas que têm o conhecimento técnico pra fazer um show bacana… Tem muita gente top também, don´t get me wrong. Mas… O Brasil é muito divertido e todos os shows aqui são eventos felizes, descontraídos e cheios de gente bonita e dançante.”

  Dá para escolher um dos dois? Brasil ou gringolândia? Gontijo e seus amigos vão enrolando, enrolando, enrolando. Não escolhem. Sentem-se confortáveis nesta posição. Ele, pelo menos, se sente. E confirma isso declarando que nunca quis ser músico. O que queria/quer, então? “Na verdade, ainda estou procurando uma carreira”, confessa, sem parecer preocupado com isso. “Na faculdade (nos EUA), eu queria ser como você, jornalista. Estudava Inglês, que é parecido com o curso de Letras do Brasil. Queria ser um crítico de música para uma revista ou um jornal, ouvir CDs, ir aos shows e depois escrever sobre isso. Mas a música entrou mais forte na minha vida e meio que ditou o rumo por mim. Tenho músicas dentro de mim que vão sair. Aí, vou querer tocar e gravar. Sinto que sou um sortudo por não ver isso como trabalho. Talvez por isso tenho ganhado tão pouco! Brincadeira… um som bem feito é um produto também. E, como qualquer produto, se for bom, o lado financeiro vai ser um resultado automático se for comercializado da maneira certa. Se alguém souber, por favor entre em contato comigo!”

  A declaração causa certa estranheza ao escriba aqui, que seria capaz de apostar que as festas que eles organizam em Floripa rendem um bom dinheiro. “O nosso conflito foi que a banda inteira passou pouco tempo junto pra criar algo mais constante na ilha”, explica o cantor, guitarrista, compositor e nada-empresário Gabriel Gontijo. “E quem já teve banda sabe que é muito difícil achar as pessoas certas para se dedicarem de verdade… Não gosto muito de usar freelance no som”, revela o sujeito que teve o primeiro contato com a música numa banda de high school, tocando clássicos de Sinatra no trompete.

  De Sinatra para as composições próprias, não foi exatamente um pulo. Mas quando começou a compor, Gabriel Gontijo transformou-se num músico que produz intensamente. Em três anos, deu à luz mais de 70 músicas. Depois de passar algum tempo em estúdio, com os manos, gravando, um novo caderninho já foi preenchido com melodias e letras. “Em termos de estilo, tem umas mudanças. Tem umas mais pesadas, como ‘Emotional’, que é uma música perfeita para um filme de surf. E outras mais dançantes, como ‘You can do me’ e ‘What’s missing?’. Também tem umas baladas como ‘If you’re not leaving’ e ‘Mistakes’, que têm uma forte influencia do soul de Otis Redding e Wilson Pickett. E até tem uma crítica social na música ‘Brand new CEO’s’, que questiona o ser humano contemporâneo. Uma coisa que me deixou surpreso depois das gravações foi o tempo das músicas. Muito sem querer, elas ficaram bem uniformes. Todas têm entre três e quatro minutos, o que é bem diferente dos improvisos e jams de que eu gosto: meia hora no mesmo groove…”


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